
Oração à Nossa Senhora do Divino Amor de Roma
Ó Maria, Virgem do Divino Amor,
mãe de misericórdia e nossa esperança,
voltamo-nos para Ti com a confiança dos filhos.
Tu que guardaste no teu coração imaculado
as maravilhas do amor divino,
guia os nossos passos nos caminhos da paz e da caridade.
A Ti confiamos a nossa cidade de Roma,
a Igreja inteira e a humanidade necessitada de salvação.
Obtém para nós, do teu Filho Jesus,
o perdão dos pecados, a força na dor
e a luz para testemunhar o Evangelho.
Sê a nossa defesa nos momentos de provação
e acolhe-nos, ó Mãe terníssima,
no abraço eterno do teu amor. Amen.
A devoção a Nossa Senhora do Divino Amor representa um dos pilares espirituais mais profundos e identitários da cidade de Roma. As origens deste culto mariano mergulham as suas raízes no século XVIII, precisamente em 1740, quando um peregrino, surpreendido por uma violenta tempestade e ameaçado por cães vadios perto de Castel di Leva, refugiou-se num nicho campestre onde estava pintada a imagem da Virgem com o Menino e a pomba do Espírito Santo. Voltando-se para a Nossa Senhora com uma prece desesperada, foi miraculosamente salvo. Este evento deu início a um fluxo imparável de peregrinações que transformaram a paisagem romana num santuário ao ar livre.
Do ponto de vista teológico, a invocação ao “Divino Amor” liga indissoluvelmente a figura de Maria ao mistério trinitário. A Virgem não é apenas intercessora, mas aquela que primeiro encarnou e acolheu o perfeito amor de Deus através do seu “Fiat”. Como sublinhado por diversos Pontífices, incluindo São João Paulo II, que visitou várias vezes o santuário, a Nossa Senhora do Divino Amor é a guardiã da esperança cristã, capaz de refletir a ternura divina sobre uma humanidade muitas vezes perdida e ferida pelas dificuldades históricas e espirituais.
Ao longo dos séculos, esta oração e o respetivo santuário assumiram um valor salvífico especial para os romanos. O episódio mais célebre corre o risco de se repetir na memória coletiva durante a Segunda Guerra Mundial, quando Roma foi declarada Cidade Aberta: a 4 de junho de 1944, enquanto as tropas alemãs se retiravam e as aliadas avançavam, os romanos reuniram-se em massa em torno da imagem da Virgem, transferida temporariamente para a cidade por segurança, invocando-a com o título de *Salus Urbis*. Tendo obtido a salvação da cidade da destruição total, o Papa Pio XII atribuiu-lhe oficialmente esse apelativo, cimentando para sempre o vínculo entre a população e esta intensa súplica.




