
No mês de agosto, o calendário litúrgico celebra duas figuras profundamente ligadas à história de Assis e ao nascimento da espiritualidade franciscana: São Rufino, lembrado a 12 de agosto, e Santa Clara, cuja memória ocorre a 11 de agosto. Dois santos que viveram em épocas diferentes, mas unidos por uma mensagem que continua a ser atual e capaz de inspirar crentes e peregrinos provenientes de todo o mundo.
As suas festividades representam, todos os anos, um momento importante para a cidade da Úmbria, que acolhe celebrações litúrgicas, peregrinações e iniciativas dedicadas à redescoberta das raízes cristãs do território. Mas o seu significado vai muito além da tradição local: as suas vidas contam o valor da fé vivida com coragem, do testemunho e do serviço.
São Rufino é considerado o primeiro evangelizador de Assis. Segundo a tradição, foi o bispo que anunciou o Evangelho à população da cidade entre o século III e IV e sofreu o martírio durante as perseguições contra os cristãos. A sua figura está estreitamente ligada à majestosa Catedral de São Rufino, um dos principais locais de culto da cidade, onde foram batizados tanto São Francisco como Santa Clara.
A sua festa litúrgica, celebrada a 12 de agosto, recorda o papel fundamental que teve na difusão do cristianismo na Úmbria. Ainda hoje é venerado como padroeiro de Assis juntamente com São Francisco e Santa Clara, em testemunho de uma ligação espiritual que atravessa os séculos.
No dia anterior, 11 de agosto, a Igreja celebra Santa Clara, fundadora da Ordem das Clarissas e uma das figuras femininas mais importantes da história do cristianismo. Nascida em Assis em 1193 numa família nobre, ficou profundamente impressionada com a pregação de São Francisco e decidiu renunciar aos privilégios da sua condição social para se dedicar completamente a Deus.
Com a sua escolha, deu origem a uma comunidade fundada na pobreza evangélica, na oração e na vida fraterna. Ainda hoje, milhares de mosteiros em todo o mundo seguem a regra inspirada pela santa de Assis, mantendo viva uma tradição espiritual que atravessa mais de oito séculos de história.
Santa Clara é recordada também pelo seu profundo amor pela Eucaristia e pelo célebre episódio em que, segundo a tradição, conseguiu defender o mosteiro de São Damião mostrando o ostensório aos atacantes, confiando a proteção da comunidade à presença de Cristo.
Com o tempo, tornou-se também padroeira da televisão e das telecomunicações. A escolha, desejada pelo Papa Pio XII em 1958, inspira-se no relato segundo o qual, durante uma doença que a impedia de participar na Missa, conseguiu miraculosamente ver e ouvir a celebração a partir da sua própria cela.
As figuras de São Rufino e Santa Clara continuam a falar também ao homem contemporâneo. Numa sociedade muitas vezes caracterizada por ritmos frenéticos e por uma comunicação contínua, ambos recordam o valor da interioridade, da escuta e do testemunho concreto da fé.
São Rufino recorda a importância do anúncio do Evangelho e da coragem de viver as próprias convicções mesmo nas dificuldades. Santa Clara convida, por sua vez, a redescobrir a simplicidade, a confiança na Providência e a centralidade da oração como fonte de paz e de esperança.
Todos os anos, entre 11 e 12 de agosto, Assis renova este património espiritual através de celebrações que atraem fiéis de todas as partes da Itália e do mundo. As duas celebrações representam não só uma ocasião de devoção, mas também um convite a refletir sobre valores que permanecem surpreendentemente atuais: a solidariedade, o serviço, a fraternidade e a procura de um sentido profundo para a vida.
Séculos depois, Santa Clara e São Rufino continuam a ser dois pontos de referência da espiritualidade cristã, testemunhando como a fé, vivida com autenticidade, pode ainda hoje iluminar o caminho das pessoas e das comunidades.




