
A 22 de outubro, a Igreja celebra a memória litúrgica de São João Paulo II, um dos Pontífices mais amados e significativos da história contemporânea. A data recorda o início oficial do seu pontificado, ocorrido a 22 de outubro de 1978 na Praça de São Pedro, quando Karol Wojtyła se apresentou ao mundo com uma mensagem destinada a entrar para a história: «Não tenhais medo! Abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo!». Palavras que encerram ainda hoje o coração do seu ensinamento e o desejo de uma fé capaz de iluminar a vida de cada pessoa.
Nascido em Wadowice, na Polónia, a 18 de maio de 1920, João Paulo II foi eleito Papa a 16 de outubro de 1978, tornando-se o primeiro Pontífice polaco e o primeiro não italiano após mais de quatro séculos. O seu pontificado, que durou quase vinte e sete anos, foi caracterizado por uma intensa atividade pastoral, por numerosas viagens apostólicas e por um compromisso constante com a paz, a liberdade religiosa e a dignidade de cada ser humano. Proveniente de um país marcado pelas feridas da Segunda Guerra Mundial e pela ditadura comunista subsequente, soube testemunhar com força o valor da liberdade e contribuiu, através da sua autoridade moral e espiritual, para as grandes mudanças que atravessaram a Europa no final do século XX.
A sua ligação aos jovens, às famílias e às pessoas mais frágeis representou um dos aspetos mais significativos do seu ministério. Com palavras simples e diretas, João Paulo II convidou gerações inteiras a não se deixarem subjugar pelo medo, a acreditar no futuro e a reconhecer em Cristo uma presença capaz de apoiar mesmo nos momentos mais difíceis. Foi o Papa das Jornadas Mundiais da Juventude, dos encontros com os povos de todos os continentes e do diálogo entre culturas e religiões diferentes. O seu testemunho soube falar também àqueles que estavam afastados da Igreja, graças à sua capacidade de transmitir uma mensagem universal de paz, fraternidade e respeito pela vida.
A sua fé emergiu com especial intensidade também no sofrimento. Após o atentado sofrido a 13 de maio de 1981 na Praça de São Pedro, perdoou publicamente o seu agressor, oferecendo ao mundo um testemunho concreto da misericórdia cristã. Nos últimos anos, marcados pela doença e pela progressiva fragilidade física, continuou a desempenhar a sua missão sem esconder o sofrimento, mostrando que também a fraqueza pode tornar-se uma forma de testemunho e que a dignidade do homem não diminui com o declínio das suas forças.
João Paulo II faleceu a 2 de abril de 2005, deixando uma recordação profunda nos fiéis e em milhões de pessoas em todo o mundo. Foi beatificado por Bento XVI a 1 de maio de 2011 e canonizado pelo Papa Francisco a 27 de abril de 2014, juntamente com São João XXIII. A sua memória litúrgica foi fixada a 22 de outubro, precisamente no dia em que iniciou o seu pontificado, para manter viva a memória da sua missão e da sua mensagem espiritual.
Hoje, num mundo atravessado por conflitos, incertezas e divisões, a comemoração de São João Paulo II representa uma oportunidade para redescobrir o valor da oração, da solidariedade e da esperança cristã. O seu convite a abrir as portas a Cristo permanece um apelo atual a não nos fecharmos no medo, a construir pontes em vez de erguer muros e a reconhecer em cada pessoa uma dignidade que merece respeito e amor. Recordá-lo significa fazer memória de um homem que dedicou a sua vida ao anúncio do Evangelho e que continua a indicar, através das suas palavras e do seu testemunho, um caminho fundado na fé, no perdão e na confiança no futuro.




