
A festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria assume este ano em Loreto um significado que vai além da tradicional celebração religiosa. Nos dias 7 e 8 de setembro de 2026, na cidade que guarda a Santa Casa, a data dedicada ao nascimento de Maria torna-se também um momento de encontro entre as diversas confissões cristãs, unidas numa oração comum pela paz num período histórico marcado por guerras, conflitos e profundas divisões. A presença dos representantes do Conselho das Igrejas Cristãs de Marche representa o coração mais atual das celebrações, transformando um dos lugares símbolo da devoção mariana num espaço de diálogo e de invocação partilhada. As celebrações têm início na noite de segunda-feira, 7 de setembro, com a tradicional procissão de velas no centro histórico de Loreto, acompanhada pela recitação do Santo Rosário. A guiar o momento de oração está o monsenhor Gerardo Antonazzo, bispo de Sora-Cassino-Aquino-Pontecorvo, que chegou em peregrinação juntamente com os fiéis da sua diocese, muitos dos quais vestindo os trajes tradicionais da região da Ciociária. Na procissão de velas participam também os representantes dos bairros de Loreto em trajes históricos, peregrinos e fiéis provenientes de diferentes localidades, dando vida a um cortejo no qual a oração se entrelaça com as tradições populares e com a própria história da cidade. O momento central acontece, contudo, na terça-feira, 8 de setembro, dia da Natividade de Maria e festa da padroeira de Loreto. O dia abre-se no Palácio Apostólico com o congresso dedicado ao tema «Laicidade e liberdade religiosa: cultura e modelos constitucionais», a cargo da lectio magistralis de Federico Silvio Toniato, secretário-geral do Senado da República. Um tema que introduz idealmente a celebração religiosa e recorda o valor da liberdade e da convivência entre culturas e confissões diferentes. Às 11h30, na Basílica Pontifícia, realiza-se a Solene Celebração Eucarística presidida pelo monsenhor Fabio Dal Cin, Prelado e Delegado Pontifício, na presença dos representantes das diversas Igrejas cristãs. Durante a Missa, é acesa a “Lâmpada da paz para o mundo”, destinada a ser colocada dentro da Santa Casa, sobre o altar. Um gesto simbólico que adquire um significado particular precisamente no lugar que, há séculos, atrai milhões de peregrinos e que a tradição identifica com a casa na qual Maria viveu e recebeu o anúncio do anjo. No final da celebração, os representantes das diferentes confissões cristãs reúnem-se numa oração coral para invocar o dom da paz e da concórdia para todos os povos. Este é o momento que caracteriza de forma particular a Natividade de Maria em Loreto em 2026: cristãos pertencentes a tradições diferentes que escolhem encontrar-se diante da Santa Casa para dirigir juntos o mesmo pedido, o da paz. Uma escolha que recorda o papel histórico de Loreto como lugar de encontro entre o Oriente e o Ocidente e que confia à cidade mariana uma mensagem capaz de falar também ao presente. O dia prossegue com o ato de entrega à Nossa Senhora de Loreto de todas as crianças que, ao longo do ano, foram colocadas sob a sua proteção. As celebrações terminam depois no adro da Basílica com a recitação do Angelus, a bênção dos aviões e o tradicional sobrevoo da Força Aérea Italiana, que presta homenagem à Virgem de Loreto, Celeste Padroeira dos aviadores. Numa data dedicada ao nascimento de Maria, Loreto escolhe assim olhar também para o presente e para as suas feridas. Entre as velas que atravessam o centro histórico, a Lâmpada acesa na Santa Casa e a oração pronunciada em conjunto por cristãos de confissões diferentes, a festa de 8 de setembro torna-se o sinal de um desejo comum: transformar um lugar de devoção num lugar de encontro e confiar à paz uma das invocações mais fortes desta celebração.




