
Ato de fé na Ressurreição – São Basílio Magno
Creio, Senhor, e confesso que Tu és verdadeiramente o Cristo,
o Filho do Deus vivo, que vieste ao mundo
para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro.
Creio também que este é verdadeiramente o Teu santíssimo Corpo
e este é o Teu preciosíssimo Sangue.
Peço-Te, pois: tem piedade de mim
e perdoa as minhas culpas, voluntárias e involuntárias,
cometidas por palavras e por obras, com conhecimento e por ignorância.
E torna-me digno de participar sem condenação nos teus santíssimos Mistérios,
para a remissão dos pecados e para a vida eterna.
Ámen.
O Ato de fé na Ressurreição atribuído a São Basílio Magno representa um dos pontos mais altos da espiritualidade patrística do Oriente. Nascido em Cesareia da Capadócia no século IV, Basílio foi um dos Pais capadócios mais influentes, bispo e doutor da Igreja, conhecido tanto pela sua perspicácia teológica na defesa da divindade do Espírito Santo, como pela sua profunda reforma litúrgica. A sua herança espiritual sobrevive ainda hoje de forma vibrante na Divina Liturgia que leva o seu nome, celebrada várias vezes ao ano nas Igrejas de tradição bizantina.
Do ponto de vista teológico, esta oração radica-se fortemente no mistério da Encarnação e da Redenção. São Basílio não se limita a formular um dogma abstrato, mas assume como sua a confissão petrina e paulina (“pecadores, dos quais eu sou o primeiro”), ligando indissoluvelmente a fé na ressurreição de Cristo com a participação sacramental na Eucaristia. O texto reflete a profunda consciência da miséria humana perante a santidade divina, implorando a misericórdia não como um mérito, mas como puro dom que conduz à vida eterna.
Uma curiosidade histórica fascinante diz respeito ao uso litúrgico desta oração: tradicionalmente recitada pelos fiéis ortodoxos e católicos de rito oriental imediatamente antes de se aproximarem da comunhão eucarística, ela serve como uma ponte entre a confissão pessoal e a união mística com o divino. A estrutura reflete a ansiedade espiritual dos monges do deserto e dos primeiros cristãos, que viam na Eucaristia o verdadeiro “fármaco da imortalidade” e uma antecipação da ressurreição corporal no fim dos tempos.




